Foto: G4tv

O resultado do laudo de microcomparação balística feito pelos peritos da Polícia Civil confirmou aos investigadores, nesta terça-feira, que o tiro que matou a líder indígena Maria de Fátima Muniz, a Nega Pataxó, da etnia Pataxó hã-hã-hãe, no último domingo (21), partiu da arma de um homem de 20 anos, filho de um Fazendeiro, preso em flagrante logo após o conflito. Além dele, também um policial da reserva está preso por envolvimento no conflito armado na a zona rural de Itapetinga, no Sul da Bahia.
Os dois foram presos em flagrante após o conflito do último domingo e passarão por audiência de custódia na Justiça Federal que decidirá se eles terão a prisão convertida em preventiva. Isso porque o juiz da Comarca de Itapetinga se declarou incompetente para julgar a causa e decidiu que a competência é da instância federal.

— O laudo deu positivo para arma que estava com o jovem de 19 anos. Agora temos a confirmação que, de fato, o projétil que foi extraído do corpo da vítima fatal saiu da arma deste jovem que prendemos — confirmou o delegado Roberto Junior, da Delegacia Regional do Interior do Sul/Sudoeste.

Os investigadores já sabem que o rapaz participava do conflito articulado pelo movimento chamado “Invasão Zero” num grupo de WhatsApp com mais de 200 ruralistas, e é filho de fazendeiros. O PM reformado, por sua vez, nega envolvimento com o ato de “retomada” da Fazenda Inhuma e disse, em depoimento na delegacia, que apenas passava pelo local, quando acabou ameaçado por indígenas e decidiu atirar para o alto.
No inquérito, a polícia investiga os crimes de homicídio, tentativas de homicídio — já que, além da indígena morta, pelo menos outras cinco pessoas ficaram feridas —, e associação criminosa armada. Quatro pessoas já foram intimadas a prestar depoimento e a investigação aguarda autorização da Justiça para analisar dados telemáticos do grupo em que o ataque teria sido articulado.
A informação foi noticiada pelo O Globo e confirmada pelo Portal Sudoeste em Foco.